quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

TEXTOS DE APOIO I - ADI´s

CARACTERIZAÇÃO DA FAIXA ETÁRIA

CONSIDERAÇÕES SOBRE O DESENVOLVIMENTO INFANTIL
Maria Lucia Medeiros[1]

O desenvolvimento infantil varia muito dependendo de cada criança, dos estímulos que recebe, do meio social, econômico e cultural em que está inserida. As características aqui apontadas são apenas referências, uma vez que elas podem se manifestar mais cedo ou mais tarde.
Nesse sentido, é preciso respeitar a individualidade de cada criança, evitando avaliações como as de que há problemas e defasagens quando ela ainda não realiza certos movimentos ou atividades que outras da mesma idade. O conhecimento das capacidades adquiridas ou em aquisição em cada momento contribui para orientar práticas pedagógicas nas instituições  destinadas à educação infantil.
De todos os seres vivos, o ser humano é o que mais depende do adulto ao nascer. Não se alimenta e não se locomove sozinho e ainda não adquiriu a fala. Os primeiros anos de vida, portanto, são marcados por aprendizados importantes para sua vida futura.
Observemos, então, em linhas gerais, o que acontece nas diferentes idades.

De 0 a 4 MESES         
           
A criança inicialmente reconhece o batimento cardíaco da mãe e sua voz. Aos poucos, vai reconhecendo também outros sons familiares. Descobre suas mãos, brinca com elas, chupa os dedos, brinca com as pernas quando está de barriga para cima. Pouco a pouco, consegue acompanhar com o olhar pessoas ou objetos que se deslocam, segurar pequenos objetos e comunicar-se através de expressões faciais.  Começa a sorrir.

Dos 4 aos 8 MESES

Nessa fase, a criança já é capaz de imitar sons, balbuciar e “conversar” com o adulto próximo. Gosta de ficar no colo, ouvir músicas e brincar com o adulto, em regra, mais do que com brinquedos.
Aos cinco meses, a criança se senta no colo e, nessa posição, agarra objetos que são colocados diante de si. Reconhece a sua imagem no espelho. Com seis meses, pode ficar sentada numa cadeira de bebê sozinha.
Ocorrem mudanças no seu sistema de locomoção, pois ela começa a se arrastar no chão e depois a engatinhar.
Segura objetos com as duas mãos. Nos dois meses seguintes, ela começa a se sentar sozinha, consegue pegar uma bolinha, passa objetos de uma mão para outra, brinca com os pés e com brinquedos, solta objetos voluntariamente, brinca com os sons que emite ainda sem dar sentido a eles.
Dos oito aos nove meses a criança já se coloca de pé sendo, normalmente auxiliada por adultos. Reconhece o seu nome e a palavra “não”.  Gosta também de brincar de “esconder e achar”, bem como de reproduzir sons.

Dos 9 aos 12 MESES

Com onze meses, em média, consegue caminhar dando as mãos para uma pessoa mais velha. Por volta de um ano de idade, começa a andar sozinha.
Vale lembrar que há crianças que já começam a caminhar com 10 meses, enquanto isso pode ocorrer, com outras, aos dezoito meses.  Essa variação relaciona-se com aspectos como a constituição física e emocional da criança e também com a forma como ela é estimulada.







Nessa fase, ela começa a dar tchau e bater palmas. É um ótimo momento para cantar músicas com gestos, pois a criança procura acompanhar os movimentos.
Acompanha também pequenas histórias. Pode pegar dois objetos ao mesmo tempo, apontar com o dedo indicador, assim  como colocar  um objetos dentro do outro.

Por volta dos 12 meses começa a falar uma ou outra palavra e pode se  alimentar sozinha, geralmente com as mãos.

De 1 a 2 ANOS

Nessa fase a criança “aprimora” o andar, começa a correr, subir em móveis ou degraus. É também uma fase e expansão, quando ela vai para cima, para os lados, para baixo, conquistando tudo com o corpo. Gosta de mexer em tudo que vê.
Começa a querer fazer coisas sozinha, como pôr e tirar os sapatos, como pôr e tirar os sapatos, comer, beber. Empilha e encaixa objetos e brinca de forma solitária e sem regras.
A criança fica mais tempo acordada durante o dia.
Escutar a voz da mãe e de outras pessoas que convivem com ela, as cantigas, as histórias que lhe contam, desde o nascimento, faz com que a criança vá desenvolvendo a linguagem verbal. Entre doze e dezoito meses, começa a pronunciar palavras e perto dos dois anos consegue formar pequenas frases.
Entende algumas ordens como “dá para mim”, “venha cá”, “não faça isso”. Gosta de olhar livros e figuras. Aponta o que está olhando e denomina.
Começa o controle esfincteriano. Também é comum que a criança inicie aqui algumas “birras”, o que significa que ela começa a expressar os seus desejos procurando garantir a satisfação deles.

Dos 2 aos 3 ANOS

Entre o segundo e o terceiro ano de vida, a criança já começa a expressar o que sente também através da linguagem verbal. Elabora  perguntas, pede  coisas.
Gosta que lhe contem historias, com ou sem livro, e também gosta de conta-las. Memoriza cantigas, canta e já fala de objetos ausentes. Usa bem a colher e veste-se com supervisão. Reconhece as diferentes partes do corpo.
Entre os movimentos corporais, ela anda de costas, em linha reta, sobe e desce escadas, manipula bem os objetos com as duas mãos, pula nos dois pés e pode também conseguir andar na ponta dos pés.Chuta bola e pedala.
Ainda é comum preferir brincar sozinha, mas já começa a haver um pouco mais de interação com as outras crianças.
Quando lhe é dada oportunidade a criança pequena começa a desenhar. Nessa fase ela ainda não tem a intenção de representar algo.  O desenho para ela é um exercício importante que lhe dá prazer, uma conquista do controle da mão e do instrumento que está à sua disposição (lápis, giz, tinta...). Inicialmente a criança faz rabiscos incompreensíveis aos olhos do adulto, aos poucos esses traços vão tomando outras formas, vão se arredondando, espiralando.

Dos 3 aos 5 ANOS

Entre as principais características dessa fase está a intensificação do processo de socialização. A criança começa a brincar mais em grupo, assumindo diferentes papéis considerando o outro. Começa a perceber diferenças entre os sexos, tanto fisicamente como socialmente. Passa a considerar também que existem regras, coisas que pode fazer e coisas que não pode.
Fisicamente, por volta dos quatro anos, a criança é capaz de saltar e ficar equilibrada sobre um pé, correr com melhor equilíbrio e andar de bicicleta. Nessa fase, geralmente gosta muito das brincadeiras de roda, cantadas e com movimentos corporais. Aos cinco, já pode pular corda e jogar amarelinha. A criança também pode manipular objetos que exijam maior precisão da coordenação motora fina, como enfiar contas em um fio, bordar talagarças ou usar o tear, bem como é capaz de usar a tesoura.
Continua gostando muito de ouvir histórias, sejam elas contos de fadas, lendas, poesias ou mesmo textos informativos.
Está querendo conhecer o mundo. Faz muitas perguntas e gosta de fazer “experiências”, misturas com água, terra, tintas e demais materiais que encontra disponíveis.


Nesta etapa, a criança ainda está construindo a noção de tempo. Ontem, hoje e amanhã se misturam. É comum dizer que ela vive numa fase do “não tempo”, o tempo das brincadeiras, das histórias,
do  mundo simbólico. Dessa forma, a criança precisa, nesse período, vivenciar o mundo imaginário, isto é muito importante para sua estruturação, seja nos seus aspectos físicos, emocionais e cognitivos.
Com maior firmeza ao segurar o lápis, seus desenhos vão se modificando e se estruturando. Já pode haver uma intenção de representação. Os rabiscos (ou garatujas) vão se formando mais circulares, se

diferenciam no papel e começam a ser nomeados. Ao desenhar, também é comum que as crianças criem histórias sobre o que está sendo representado.

Dos 5 aos 7 anos

A vida social da criança se amplia.
Os jogos simbólicos ou de representação vão gradativamente dando lugar aos jogos regrados, que pouco a pouco também podem ser jogos em equipe. Nas interações sociais, aprendem a discernir entre o certo e o errado e são capazes de resolver os conflitos que aparecerem com os colegas.
Começa a desenvolver princípios de organização, relacionados com períodos do dia, de início, e depois com as horas e com os dias da semana.
Para sua organização interna, a criança ainda tem uma necessidade muito grande de vivenciar atividades lúdicas, ou atividades criativas. Desta forma, pode-se dizer que ainda não chegou a hora de separar a criança dos brinquedos ou das brincadeiras.  O mesmo ocorre com os momentos de ouvir histórias. Estas, por sua vez, podem ser mais complexas.
As habilidades motoras aumentam: amarrar sapatos, andar de bicicletas sem rodinhas, segurar adequadamente um lápis para escrever. É  comum haver interesse pela escrita de letras e números. Por volta dos SEIS A SETE ANOS, já há maturação neurológica para aprender a ler e a escrever, embora algumas crianças já o consigam fazer antes disso. Inicialmente, é normal que a criança escreva de forma espelhada, ou seja, inverta letras e números. Seus desenhos estão mais estruturados, adquirem formas mais definidas (muitas vezes iniciando pelo corpo humano ou pelo sol e expandindo-se para casas, carros...). Ganham, também, novo colorido.
Gradativamente, a criança vai deixando de lado o mundo imaginário e as fantasias e começa a compreender tarefas e coisas do mundo real. Começa o aprimoramento do raciocínio lógico e a objetividade também aumenta. A criança adquire maior capacidade de observar aquilo que está fora dela.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

  1. WAKSMAN, Renata Dejtiar; SCHVARTSMAN, Cláudio; TROSTER, Eduardo Juan (coord). A SAÚDE DE NOSSOS FILHOS. São Paulo: Publifolha, 2002.
  2. MOREIRA, Ana Angélica Moreira. O espaço do desenho: a educação do educador. São Paulo: Edições Loyola.
  3. MACHADO, Paulo. Corpo de criança: cursos para educadores. Carapicuíba, SP: Centro de Estudos Casa Redonda, 2004 (mimeo).
  4. Material disponível on-line no site

PARA SABER MAIS:

1.     PIAGET, Jean. A Formação do símbolo na criança: imitação, jogo, sonho, imagem e representação. Rio de Janeiro: Zahar, 1971(1 ed. Francesa 1964)
2.     ___________. O nascimento da inteligência na criança. Rio de Janeiro: Zahar, 1982 (1.ed. Francesa 1966)
3.     DANTAS, Heloysa. A infância da razão: uma introdução à psicologia  da inteligência em Henri Wallon. São Paulo: Manole, 1990
4.     GALVÃO, Isabel. Henro Wallon: uma concepção dialética do desenvolvimento infantil. São Paulo: Editora Vozes, 1995
5.     VIGOTSKY, L.S. A formação social da mente. São Paulo, Martins Fontes, 1984
6.     ___________. Linguagem, desenvolvimento e aprendizagem. São Paulo, Edusp, 1988
7.     WALLON, Henri. As origens do caráter na criança. São Paulo: Difel, 1971.

8.     LIEVEGOED, B. Desvendando o crescimento. São Paulo: Antroposófica, 1994

9.     _________. Fases da Vida. São Paulo: Antroposófica, 1994

janl/2011.


[1] Membro das equipes dos projetos Entre na Roda e Brincar do Centro e Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária – CENPEC e professora de Educação Infantil da Escola Vera Cruz (SP)

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