Secretaria de Educação, Ciência e Tecnologia
Departamento de Formação
UM OLHAR SOBRE OS INDÍGENAS BRASILEIROS
A escola é acima de tudo organizada para formar cidadãos que vão conviver numa sociedade multicultural. A formação de um cidadão do mundo, num planeta completamente interligado exige entender o diferente sem julgamentos de valores morais ou religiosos. Por outro lado , perceber a diferença muitas vezes gera o desejo de explicar, ou entender a diferença. Como afirmou Einstein : tudo depende do ponto de vista.
Ao longo dos anos fomos fortalecendo a memória do “inconsciente coletivo”, sobre as questões indígenas, onde as visões estereotipadas oscilaram e oscilam entre a concepção romântica de um indígena puro, inserido na natureza, ingênuo e um índio bárbaro, selvagem e preguiçoso, empecilho para o progresso.
A primeira idéia que a maioria dos brasileiros tem sobre os índios é de que eles constituem um bloco único , com a mesma cultura, compartilhando as mesmas crenças e língua. O Tupinambá, o Mura, o Cariri Xocó, o Coropó , deixam de ter e ser cada qual em sua etnia, para se transformarem no “índio”, isto é, no “índio genérico”, aquele que se move em seus tambores, maracás , colares, pinturas corporais, danças ao redor do fogo.
Considerar as culturas indígenas como atrasadas e primitivas é um grande equívoco. Os povos produziram e produzem saberes, ciência, arte refinada, literatura, poesia, música e religião. Muitos grupos indígenas realizaram experimentação genética com plantas, diversificando e enriquecendo as espécies. Só na região do rio Uaupés, afluente do Rio negro, no Amazonas, uma pesquisadora americana, Janete Chernella, em 1986, identificou 137 cultivares diferentes de mandioca entre os índios Tukano.
O nosso maior desafio como educador, é perceber a figura do índio como sujeito da história, como sujeito que compartilha com os demais brasileiros o direito de ser e estar na sua terra brasilis. Paulo Freire alerta sobre o perigo de considerarmos o outro, o diferente em nossa sociedade, como alguém que precisa de algo, demandando alguém que faça por ele, que aja por ele. Devemos ir além do olhar, refletindo também que o Brasil não conhece o Brasil, penetrando nas mil faces e na possibilidade de uma só pátria, sem hegemonizar o pensamento e a identidade.
Nesse ritmo, a história possui uma oportunidade de ser tecida de outra forma, buscando a perspectiva étnica ,perpassando pela organização dos currículos escolares consagrado pelos novos saberes e significados, ordenando de modo significativo, sem apego exclusivo em datas comemorativas, efetivando a lei 11.645/2008, que alerta o artigo 26-A da LDB.
Só transformamos aquilo que verdadeiramente é importante para o nosso caminhar, portanto como educador só poderemos desconstruir o imaginário coletivo, observando o Brasil além da “terra a vista”, porque corpo e território se colam na imagem da “Terra Mãe”, abrindo espaço para uma afinidade com todos os outros seres que nela habitam, nesse imenso caleidoscópio de relações humanas.
Equipe de Formação
SEDUC- 2011
BIBLIOGRAFIAS
BERGAMASCHI, Maria Aparecida Povos Indígenas & Educação - Porto Alegre, 2008. ( série projetos e práticas pedagógicas).
RICARDO, F. Terras indígenas & unidades de conservação da natureza: o desafio das sobreposições. São Paulo: Instituo Sócio –Ambiental, 2004.
CARNEIRO DA CUNHA, M. Antropologia do Brasil: mito, história e etnicidade. São Paulo. Brasiliense/ EDUSP. 1986.
CALLEFI. P. Índios no século XXI. In: Diálogos Latinos Americanos, Dinamarca, Centro de Estudos. Universidade de Aarhus. 2003.
SCANDIUZZI, P.P.Educação indígena X educação escolar indígena: uma relação etnocida em uma pesquisa etnomatemática. São Paulo: Editora UNESP, 2009.
SUGESTÃO DE VÍDEOS
Paulo Freire reflexões ( Grupo Banzo- 1983- Vivência de Paulo Freire sobre a educação indígena)
Terras Vermelhas - Um grupo de índios Guarani-Kaiowá vive em uma fazenda trabalhando em condições de escravidão e ganham alguns trocados para posarem de atração turística. Eles decidem reivindicar a devolução das terras de seus ancestrais e começa um grande conflito com os fazendeiros.
Altera a Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, modificada pela Lei no 10.639, de 9 de janeiro de 2003, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena”.
“Art. 26-A. Nos estabelecimentos de ensino fundamental e de ensino médio, públicos e privados, torna-se obrigatório o estudo da história e cultura afro-brasileira e indígena.
§ 1o O conteúdo programático a que se refere este artigo incluirá diversos aspectos da história e da cultura que caracterizam a formação da população brasileira, a partir desses dois grupos étnicos, tais como o estudo da história da África e dos africanos, a luta dos negros e dos povos indígenas no Brasil, a cultura negra e indígena brasileira e o negro e o índio na formação da sociedade nacional, resgatando as suas contribuições nas áreas social, econômica e política, pertinentes à história do Brasil.
§ 2o Os conteúdos referentes à história e cultura afro-brasileira e dos povos indígenas brasileiros serão ministrados no âmbito de todo o currículo escolar, em especial nas áreas de educação artística e de literatura e história brasileiras.” (NR)
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