Os saberes necessários ao coordenador pedagógico: reflexões, desafios e perspectivas
Por Vandy Lima
(formadora)
Com o propósito de alinhar e discutir alguns saberes fundamentais a prática educativa dos coordenadores de escola, trinta e cinco profissionais com experiências entre um a trinta e dois anos no magistério, inscreveram-se neste curso. Todos possuem graduação e doze pós graduação, um bacharel e a maioria já realizou em média cinco cursos de atualização e aperfeiçoamento de curta e média duração.
A maioria pontua que ensinar não é transferir conhecimentos, mas criar possibilidades para a sua produção e ou construção. Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender e sendo assim muitos buscam ampliar esse conhecimento junto com o seu grupo de trabalho, por meio de novas vivências e retomar os desafios próprios da função. O ato de aprender precede o ensinar, em outras palavras ensinar se dilui na experiência realmente fundamental de aprender. Quanto mais criticamente se exerça a capacidade de aprender tanto mais se constrói e desenvolve o que chamamos curiosidade epistemológica, sem o qual não alcançamos o conhecimento ( FREIRE, Pedagogia da autonomia)
Uma grande preocupação desse grupo, em que dezesseis deles tem menos de um ano na função de coordenador pedagógico, é desenvolver uma escuta atenta, pois ensinar exige saber escutar e é sabendo escutar que aprendemos a falar. Somente quem escuta paciente e criticamente o outro, fala com ele, mesmo que em certas condições, precise de falar a ele. O que jamais faz quem aprende a escutar para poder falar com e falar impositivamente. Até quando, necessariamente, fala contra posições ou concepções do outro, fala com ele como sujeito da escuta de sua fala crítica aprende a difícil lição de transformar o seu discurso, às vezes necessário.
Mesmo os 50% do grupo que já tem entre 1 e 10 anos na função preocupam-se e entendem o espaço pedagógico como um texto a ser lido, interpretado, escrito e reescrito. Sendo assim quanto mais possibilidades de aprendizagem democrática houver melhor e a presença do coordenador dever revelar a capacidade de analisar, comparar, avaliar, decidir, optar, de romper com paradigmas: “ Minha capacidade de fazer justiça, de não falhar à verdade. Ético, por isso mesmo, tem que ser o meu testemunho.”
Todos priorizam a formação permanente como caminho para atender as exigências da função que prevê um profissional com base teórica adequada, provocador de boas reflexões, foco no pedagógico, credibilidade do grupo, fazer a diferença, pois ensinar exige consciência do inacabado. Esse é o ponto de partida para quem se dispõe a ser formador de professores. Onde há formação há inacabamento. E se tenho essa consciência posso ir além dele com responsabilidade e ética tornando-nos automaticamente educáveis. O respeito à autonomia e a dignidade de cada um é um imperativo ético e os sujeitos dialógicos aprendem e crescem na diferença, sobretudo no respeito a ela, ensinar exige bom senso, rigorosidade metódica ,segurança, humildade e pesquisa. Ensino porque busco, porque indago e me indago, educo e me educo. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar o anunciar a novidade.
Um dos saberes essenciais a qualquer educador é acreditar que tem nas mãos o poder da mudança: ensinar exige a convicção de que a mudança é possível e que o seu papel na educação não é só na constatação, mas de quem intervém como sujeito. Não somos objetos da história, mas sujeitos igualmente, portanto constatamos para mudar... tarefa incomparavelmente mais complexa e geradora de novos saberes
No papel de coordenadores pedagógico jamais podemos ocupar uma posição neutra, pois somos os verdadeiros pensadores da educação, o que implica em decisão, escolha , intervenção.É a partir desse saber fundamental: mudar é difícil, mas é possível, que devemos programar nossas ações na busca de saberes específicos em que minha curiosidade se inquieta e minha prática se baseia. É preciso ler a leitura do mundo a realidade e as necessidades da escola e criar a dialogicidade entre gestores, professores, alunos...de forma aberta, curiosa, indagadora e não apassivada, enquanto fala e enquanto ouve. O que importa é que todos sejam concebidos como protagonistas da aprendizagem.
Antes de qualquer tentativa de discussão de técnicas, métodos... o indispensável mesmo é que o coordenador ative a curiosidade dos professores,pois é ela que me faz perguntar, conhecer, atuar, reconhecer. Não devemos pensar apenas sobre os conteúdos que vem sendo expostos ou discutidos pelos professores, mas a maneira aberta, dialógica, ou mais fechada e autoritária, com que este ou aquele professor ensina.
Que possamos juntos construir os verdadeiros saberes necessários ao coordenador pedagógico, na condição de nos arriscarmos, pois o próprio pensar certo é a disponibilidade ao risco, a aceitação do novo que não pode ser negado ou acolhido só porque é novo, assim como o critério e recusa ao velho não é apenas o cronológico... o velho que preserva sua validade ou que encarna uma tradição ou marca uma presença no tempo, continua novo. E nos assumirmos como seres pensantes, comunicantes, transformadores e criadores, realizadores de sonhos, capazes de ter raiva porque somos capazes de amar.
Estes somos nos, criadores e criaturas, aprendendo dialeticamente no dia a dia. Pois só aprende aquele que deixa sempre a chama viva da curiosidade acesa, que pensa e reflete sobre si diariamente buscando alinhar-se as novas tecnologias e conceitos deste adimirável mundo "novo".
ResponderExcluirMara Regina